NÚCLEO DO TEMPO DO EPHEMERA NA ESTAÇÃO CRONOGRÁFICA: A Equação do Tempo

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Do blogue de Fernando Correia de Oliveira:

“A Equação do Tempo tem lugar cativo num Almanaque que se preze… Como é o caso das dezenas de exemplares que o Arquivo Ephemera (Núcleo do Tempo) possui. Na imagem, folha do Almanaque de Lembranças Luso Brasileiro para 1868.

Mas o que é a Equação do Tempo? Desde há muito que os astrónomos descobriram que o dia não tem sempre 24 horas. Ao longo do ano, a viagem de rotação da Terra em redor do Sol tem variações na sua duração. Mas apenas quando os relógios mecânicos tiveram exactidão superior – com a introdução do pêndulo – surgiram as primeiras tabelas, com precisão ao segundo. Primeiro, em 1665, com Christiaan Huygens, o relojoeiro holandês pioneiro na aplicação das leis do pêndulo de Galileu à relojoaria. Depois, em 1672-73, com o astrónomo inglês John Flamsteed, que mais tarde seria o primeio Director do Observatório de Greenwich.

Explica o Almanaque de 1868:

“Como o sol se retarda umas vezes, outras se acelera, ou parece estacionário, idearam os astrónomos para maior facilidade dos seus cálculos, reduzir estes movimentos desiguais, a um tempo e movimento igual e médio.

É o que se chama – Equação do tempo, ou diferença entre o tempo verdadeiro e o tempo uniforme, mostrado pela seguinte tábua em relação aos dias do mês. Entre outros usos serve também para regular os relógios. Se ao ponto do meio dia marcado em uma boa meridiana [relógio de sol] o relógio mostrar os minutos e segundos declarados na tabela para antes, ou depois do meio dia verdadeiro, sabe-se que está certo.

Os minutos que levam o sinal + devem exceder ao meio dia verdadeiro, e os que levam o sinal – devem faltar para ele”.
Assim é, de facto. Durante o decurso do ano, a diferença entre aquelas horas pode variar entre um avanço da posição do Sol em relação ao tempo solar médio de 16 min 33 s (por volta de 31 de Outubro – 1 de Novembro) e um atraso de 14 min 6 s (por volta de 11 – 12 de Fevereiro).

Há quatro dias no ano em que o dia têem 24 horas, coincidindo o tempo solar verdadeiro com o tempo médio, a saber: 15 de Abril, 13 de Junho, 1 de Setembro e 25 de Dezembro.

A 15 de Julhode 1868, e segundo a tabela acima, quando o relógio de sol marcasse meio dia, o relógio mecânico teria que marcar 12:05:34.

Mas as coisas não são assim tão simples. Para já, será preciso saber se estamos em Hora de Inverno (mais próxima da hora solar) ou de Verão (desviada de uma hora a mais em relação à solar). Depois, a Equação do Tempo é calculada ao local onde se faz a medição e ela mesma varia ao longo dos anos.

Actualmente, a Equação do Tempo, para Lisboa, segundo Jaime Ferreira Ribeiro, amante da gnomómica e construtor de relógios de sol, daria para 15 de Julho um atraso da hora solar da ordem dos 6 minutos e 3 segundos. Ou seja, às 12h00 no relógio de sol, o relógio mecânico teria que marcar 13:06:03 (mais uma hora, por estarmos na Hora de Verão).

Mas, basta de arcaismos… Actualmente, a maneira mais exacta e disponível para acertar o seu relógio é disponibilizada pelo Observatório Astronómico da Ajuda, o Guardião oficial do Tempo Português. Para isso, vá aqui.”

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