EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – O MAIS PRÓXIMO DE NÓS (1 DE FEVEREIRO DE 2021)

Nas primeiras eleições autárquicas, e em muitos sítios até aos nossos dias, principalmente nas freguesias, a iconografia eleitoral era feita pelos próprios candidatos. Era simples, imediata e próxima, traduzia realizações e promessas que diziam alguma coisa aos eleitores. Não havia muito dinheiro, nem agências de comunicação, nem especialistas de marketing eleitoral. Mais do que cartazes, autocolantes, panfletos,  onde se percebe melhor o mundo das primeiras autárquicas é nos calendários. Os calendários serviam para alguma coisa, os autocolantes não. Coexistiam, onde um era símbolo de pertença, a um candidato, a um partido, a uma lista independente, o outro trazia-se na carteira, nas carteiras amassadas nos bolsos de quem trabalha. Os calendários são também o mais próximo dos “santinhos” brasileiros, na sua mensagem directa e sem complicações.

Em cada eleição, nos programas de “engraçadismo”, na má língua das redes sociais, tornou-se moda gozar com as imagens destas campanhas eleitorais, os “tesourinhos deprimentes”. Aqui, pelo ARQUIVO EPHEMERA, temos outro respeito por este esforço voluntarioso das eleições que mobilizam dezenas de milhares de pessoas, para listas de que nunca ninguém vai ouvir falar a não ser os fregueses. Para nós, é uma parte indissociável da iconografia da democracia.

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