EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – MENSAGEM “DOS QUE PARTEM” (2 DE FEVEREIRO DE 2021)

A assinatura, como muitas vezes acontece nos panfletos da época, não é inteiramente verdadeira. Ou seja, este panfleto tem origem nos grupos de anarquistas que se opuseram à participação de Portugal na I Guerra Mundial e não propriamente nos soldados que partiam, mais de 50.000 neste ano. “Sem fatos, nem botas, nem armas, nem munições”. 1917 é um ano terrível para os soldados portugueses em França, e nunca houve em Portugal qualquer movimento popular patriótico a favor da participação na guerra, como aconteceu em 1914 em França ou na Alemanha. Verdade seja, que em 1917 a matança nas trincheiras já era conhecida, e por isso o destino dos “que partem” era pouco auspicioso. Nos campos do interior agrícola de Portugal, onde muitos soldados foram recrutados, em Fátima, foi a própria Nossa Senhora que teve que aparecer para dizer aos pastorinhos que a guerra ia acabar e os soldados voltariam a casa. O traumatismo da guerra fez com que, à data do 25 de Abril, quando, nos campos, se estudava a memória das pessoas analfabetas ou quase, sem rádio ou televisão, o que recordavam da esfera do político eram duas coisas: “Afonso Costa tinha vendido os nossos soldados aos ingleses por uma libra cada um” e Marcelo Caetano tinha dado a reforma aos rurais.

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