EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – O LÁPIS INFAME (11 DE FEVEREIRO DE 2021)

 

A fábrica Viarco de S.João da Madeira foi a maior produtora de lápis em Portugal. Fazia diferentes tipos de lápis que acompanharam a história da educação e a história política. Mas um dos lápis ganhou uma notoriedade infame: o lápis de dupla cor, azul e vermelho, usado pela Censura. O vermelho servia para sublinhar o que a Censura achava inconveniente e proibido. Embora o vermelho fosse essencialmente para os cortes, o azul também era usado. O que é certo é que um risco oblíquo ou horizontal em cima de uma prova de jornal, ou uma página de um livro, ou um original dactilografado ou manuscrito de uma peça de teatro significava que um facto, uma opinião, um poema, uma linha de revista desaparecia para sempre. Os censores fizeram muitos estragos, mas perderam.  Espero que para sempre.

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