Neptuno, a versão romana de Poseidon, era o dono dos mares. Não admira por isso que durante a II Guerra Mundial, em que, nalguns momentos, a única verdadeira vantagem da Grã-Bretanha era a sua frota de guerra, fosse esse o nome de uma revista de propaganda que era também editada em português. A revista era uma eficaz arma de propaganda, com capas cuidadas e conteúdo gráfico impressivo. No ARQUIVO há quase todos os números e, por isso, quando aparece algum que falta é uma pequena alegria. Quando apareceu o Neptuno da direita pensou-se que se ia tapar um buraco na colecção. Mas havia qualquer coisa de estranho, não estava numerada e o tipo de letra do título era ligeiramente diferente. Depois, lá dentro percebia-se muito bem que este Neptuno era uma falsificação alemã. Navio após navio, da marinha de guerra e da marinha mercante, apareciam a afundar-se sob as bombas e os torpedos alemães.
As “fake news” não são de hoje, são herdeiras menos sofisticadas destes anos, que George Orwell percebeu como ninguém. Menos sofisticadas nos conteúdos e mais eficazes nos meios e nos alvos, a diferença está no poder das redes sociais e no modo como as pessoas as “lêem”.



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