Nota de Imprensa:
“Câmara Municipal de Lisboa e Associação Ephemera assinam acordo com vista às próximas celebrações anuais do 25 de abril, até aos 50 anos da Revolução
Paços do Concelho
25 abril 2021, 12 horas
A Câmara Municipal de Lisboa e a Associação Cultural Ephemera, representadas pelos seus Presidentes, Fernando Medina e José Pacheco Pereira respetivamente, assinam no dia 25 de abril ao meio-dia, nos Paços do Concelho, um Memorando de Entendimento com vista às próximas celebrações anuais do 25 de abril, até aos 50 anos da Revolução. A Associação Ephemera possui um arquivo único no plano iconográfico, reconhecido a nível nacional e internacional, que, embora generalista, apresenta uma forte componente especializada em política e história política do século XIX a XXI. “
Expresso, 23/04/2021
Associação Ephemera e Câmara de Lisboa unidas para os 50 anos do 25 de Abril
António Cotrim
Assinatura do Memorando de Entendimento, entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação Ephemera, será feita ao meio-dia, neste domingo, nos Paços do Concelho, pelos respetivos presidentes, Fernando Medina e José Pacheco Pereira
A Câmara Municipal de Lisboa e a Associação Ephemera vão assinar um memorando, no domingo, para a colaboração nas próximas três comemorações anuais do 25 de Abril, até aos 50 anos da Revolução, em 2024, anunciou esta sexta-feira a autarquia.
“A Associação Ephemera possui um arquivo único no plano iconográfico, reconhecido a nível nacional e internacional, que, embora generalista, apresenta uma forte componente especializada em política e história política do século XIX a XXI”, lê-se no comunicado do Departamento de Marca e Comunicação da Câmara de Lisboa, hoje divulgado.
O Arquivo-Biblioteca Ephemera, fundado pelo historiador José Pacheco Pereira, reparte-se entre a vila da Marmeleira, em Rio Maior, e o Parque Empresarial da Baía do Tejo, no Barreiro, onde em fevereiro do ano passado foi inaugurado um novo armazém, apto para estender a capacidade de acolhimento de documentação e acolher exposições e eventos.
O arquivo, há várias décadas mantido e alimentado por José Pacheco Pereira, ganhou a designação oficial de Ephemera em 2009, e passou a ser gerido por uma associação cultural homónima, em 2017, que conta com várias centenas de associados e de voluntários em todo o país.
São estes voluntários que trabalham no acolhimento, identificação e tratamento de milhares de documentos e objetos que chegam a uma rede de pontos de recolha espalhados por todo o território, e por países como Angola e Luxemburgo.
A Ephemera soma quilómetros lineares de documentos, com de centenas de milhares de livros e brochuras, milhares de periódicos, fotografias, discos, panfletos, cartazes e objetos que testemunham a história contemporânea, sobretudo portuguesa, e que resultam, em grande parte, de doações de particulares, anónimos, figuras públicas e de diferentes entidades.
Esse arquivo tem sustentado investigação, dado origem a exposições, irá enriquecer a exposição permanente do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, em Peniche, e está na base de edições livreiras, como a coleção Ephemera da Tinta-da-China, abarcando perspetivas diferentes do país.
Entre estas edições encontram-se “Amorzinho”, testemunho da vida quotidiana nos anos de 1930/40, através de cartas de um casal de namorados, “Uma Nova Conceção de Luta”, de Fernando Pereira Marques, sobre o combate da LUAR contra a ditadura, a propaganda colonial para “A Conquista das Almas”, coligida por Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, e até mesmo volumes com reprodução de autocolantes de partidos como o PPD/PSD e as organizações da Frente de Unidade Revolucionária.
“Diário dos Dias da Peste”, a nova edição da Ephemera, reúne testemunhos do “período mais duro do confinamento da epidemia da covid-19”, de membros da própria associação, “com o objetivo de mostrar a diversidade dos fundos [do arquivo] e o trabalho coletivo do seu tratamento”.
Para as próximas manifestações do 25 de Abril e do 1.º de Maio, o ‘blog’ da Ephemera apresenta um apelo para o seu registo, embora tenham já “vários voluntários” dispostos a fotografar ruas, recolher panfletos e outros materiais. “A experiência mostra”, porém, que é necessária a ajuda de todos para que, “de Bragança a Vila Real de Santo António, [seja possível] documentar estes dias excecionais”.
Cartazes do Movimento Democrático das Mulheres, coabitam com coleções de cromos de divulgação, de diferentes períodos do século XX, na página de abertura do ‘site’ da Ephemera, que tem também materiais da Associação 25 de Abril, do Sindicato do Serviço Doméstico, dos Grupos de Unidade Popular e panfletos e cartazes de protestos públicos da atualidade. O ‘site’ é uma amostra da dimensão e da perenidade e do universo Ephemera.
“Não é possível fazer a história contemporânea portuguesa sem vir aqui”, sublinhou Pacheco Pereira, em fevereiro de 2020, quando da apresentação à imprensa das novas instalações no Barreiro.
Na altura, o historiador garantiu que são seguidas as práticas mínimas arquivísticas e de conservação dos documentos doados. Há um “embrião de departamento editorial”, e a associação está aberta e disponível para avançar com mais protocolos de colaboração com entidades.
O que Pacheco Pereira dizia aguardar, então, há já vários anos, era um enquadramento legal para potenciar o trabalho do arquivo, “que combine a solidez patrimonial das fundações – tudo o que é privado passará para essa fundação -, com a flexibilidade das associações culturais sem fins lucrativos”, para poderem continuar a usar o voluntariado.
Na inauguração do Armazém 2 do Arquivo-Biblioteca, em fevereiro do ano passado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atribuiu as insígnias de Membro Honorário da Ordem de Mérito à Associação Cultural Ephemera.
A assinatura do Memorando de Entendimento, entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação Ephemera, será feita ao meio-dia, nos Paços do Concelho, pelos respetivos presidentes, Fernando Medina e José Pacheco Pereira.
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