JOSÉ MANUEL DA SILVEIRA LOPES – CHAPAS DE IDENTIFICAÇAO

CHAPAS DE IDENTIFICAÇAO

As “chapas” anexas eram utilizadas nos serviços de Via e Obras das empresas ferroviárias como elementos de identificação dos trabalhadores eventuais (pagos ao dia) que eram utilizados em trabalhos mais ou menos indiferenciados na manutenção e/ou construção de vias e edifícios.

Tratava-se de trabalhadores braçais na sua maioria temporariamente desviados da actividade agrícola e que, quase sempre analfabetos, não pertenciam aos quadros das empresas. Não tendo, por isso, acesso a uma identificação formal como trabalhadores da empresa, era-lhe tão só, atribuIdo um numero que aposto na chapa permitia o reconhecimento do seu “vinculo” eventual a uma dada estrutura dos serviços de Via e Obras.

Servia a “chapa” para receber a retribuição pelos serviços prestados num determinado período. Os pagamentos eram efetuados por agentes da tesouraria da empresa (designados por “pagadores”) que percorriam a rede estacionando em locais e dias determinados, para al fazerem os pagamentos a todo o pessoal da zona, em dinheiro. No caso do pessoal eventual, a apresentação da respetiva chapa testemunhava a identificação do prestador de serviços, garantindo a perceção dos valores que Ilhe fosse devido.

Não havendo acessibilidade a serviços bancários ou postais na generalidade do país, a empresa (neste caso a de Sul e Sueste, mas também as demais empresas ferroviárias) organizou os pagamentos de salários (e não só) em numerário, descentralizadamente, a partir das suas tesourarias. 0 dinheiro era transportado nos comboios em caixas que dispunham de um engenhoso mecanismo de fecho que assegurava a sua inviolabilidade por estranhos. Só na década de setenta do século passado a CP diligenciou para persuadir o pessoal a utilizar os serviços bancários para recebimento dos ordenados.

José Manuel da Silveira Lopes

1 Comment

  1. Muitíssimo interessante este relato, bem esclarecedor das pérfidas “relações de trabalho” do tempo do fascismo… Com amizade, e alguma ironia, registo uma óbvia gralha do texto: onde o autor queria dizer que eram “atribuídos” n.os aos trabalhadores, saíu “atribulados”… E eram, desgraçados deles!
    José Alberto Franco (email, para quem pretenda contactar: jaffranco@gmail.com)

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