NÚCLEO DE GASTRONOMIA DO EPHEMERA – Francisco Inácio Pereira Rubião – Liberal, médico, industrial, viticultor

APELO AOS NOSSOS VOLUNTÁRIOS PARA NOS AJUDAREM NAS TRANSCRIÇÕES DESTA CORRESPONDÊNCIA

“Tesouro inesperado. Acabou de chegar ao Núcleo de Gastronomia do Arquivo um exemplar do segundo volume da O Vinhateiro, de 1845, da autoria de Francisco Inácio Pereira Rubião (? – 1846). Apenso à obra, um conjunto de documentos manuscritos. E o tesouro revelou-se.
Numa análise superficial do que temos em mãos, podemos dizer o seguinte: trata-se de correspondência de Rubião, emitida do Porto, entre 1843 e o ano do seu falecimento, dirigida a Paulo Romeiro da Fonseca (1823 – 1859), Alcoentre, Sanguinhal, Praia da Consolação. São cerca de trinta cartas de Rubião e uma nota, igualmente manuscrita, de Romeiro da Fonseca, dando conta do falecimento do primeiro e contextualizando o diálogo epistolar.
Aparentemente, o livro pertenceu a Romeiro da Fonseca, que foi guardando as cartas e as apensou ao Volume II de O Vinhateiro. Deputado às cortes em 1857, natural do Sanguinhal, freguesia do Carvalhal, concelho de Óbidos, veio a falecer na sua Quinta de Tagarro, freguesia de Alcoentre, tendo sido sepultado na capela do Sanguinhal.
Colaborador da Revista universal lisbonense : jornal dos interesses physicos, moraes e litterarios por uma sociedade estudiosa, Romeiro da Fonseca foi fundador do Grémio Literário.
As missivas que Rubião lhe dirigiu dizem sobretudo respeito ao mundo agrícola, mais precisamente à vinicultora e à produção vinícola, depreendendo-se que Romeiro da Fonseca fizesse vinho. Mas incluem apreciações políticas que dão aos documentos um valor acrescido.
(…)
As missivas têm, esporadicamente, considerações políticas. De uma carta enviada por Rubião a Romeiro da Fonseca, a 8 de Agosto de 1845, entre os conselhos vinícolas, destacamos esta, recordando a guerra civil entre Liberais e Miguelistas (1832-1834): “[…] tinha só os bons desejos do nosso triunfo, por contribuir ao bem estar da nação. Fomos derrotados, mas no campo, podemos pois dizer como Franciso I – tudo se perdeu, menos a honra. As trapaças, torpezas e vis [?], de que o infame Governo lançou mão, não sei o que há-de opor. Deus salve a Nação e a Rainha.” A monarca era D. Maria II.”

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