NÚCLEOS DE GASTRONOMIA E DO TEMPO NO EPHEMERA: Coisas do Ephemera – contra o tabaco. Mas quem eram os paivantes?

“Nos Núcleos do Tempo e da Gastronomia do Arquivo Ephemera existem as 4 primeiras edições (1913 a 1916) do Almanaque Vegetariano Ilustrado de Portugal e Brasil, dirigido pelo médico frugívoro Amílcar de Sousa.
No primeiro número, é publicado um poema anti-tabágico, assinado em Cabanas [de Tavira?] por um tal Ignotus. Nele se fala dos que fumam charuto, dos que preferem superior ou dos que consomem paivante.
Mas, afinal, o que era o paivante? Nas pesquisas, fomos dar de frente com Paiva Couceiro e com as suas incursões a partir da Galiza contra o novel regime republicano.
paivante, vocábulo claramente derivado de um dos apelidos do caudilho monárquico, era um cigarro com filtro. Os oficiais às ordens do chefe provinham de uma certa aristocracia portuguesa, que já fumava cigarros com filtro, meio século antes de os cigarros com filtro começarem a ser produzidos em massa. Um luxo, portanto. Com os aristocratas entretanto exilados (os “pinocas”) e escassos efectivos e meios militares, Paiva Couceiro conduziu as incursões monárquicas. Logo em 1911 e depois no ano seguinte, tendo chegado a proclamar, por alguns dias, a chamada Monarquia do Norte. O próprio D. Manuel II, rei deposto a 5 de Outubro de 1910, e desde então exilado em Londres, demarcou-se das aventuras militares de Paiva Couceiro. Depois da derrota em Chaves, os paivantes passaram à História, onde foram escassos e breves protagonistas…
De qualquer forma, Paiva Couceiro, herói das campanhas de África, ficou no imaginário colectivo dos portugueses. Até hoje.”
Mais, no blogue de Fernando Correia de Oliveira, Estação Cronográfica.

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