A EXPOSIÇÃO “QUE FORÇA É ESSA” NA IMPRENSA – VISÃO / SETE

 

O título da exposição, retirado de uma música homónima de Sérgio Godinho, não terá sido escolhido ao acaso. Em Que Força é Essa, que acaba de inaugurar no Pavilhão Central da Casa da Arquitetura, em Matosinhos, integrada no núcleo Design e Democracia da primeira edição da Porto Design Biennale (PDB), mostram-se quase duas centenas de cartazes “feitos manualmente pelo cidadão comum e exibidos em manifestações” desde 2012, pertencentes ao arquivo Ephemera, de José Pacheco Pereira.

Apesar de integrar a PDB – que, até ao final do ano, une Porto e Matosinhos em torno do design, com exposições, debates e conferências, sob o tema Post Millenium Tension –, Que Força é Essa não se trata de “uma exposição convencional de design”, nota a curadora e investigadora Helena Sofia Silva, que, em 2013, mergulhou no arquivo de José Pacheco Pereira, quando decidiu fazer uma tese de doutoramento sobre material gráfico associado à expressão do protesto em Portugal. “É uma exposição de design popular vernacular”, já que o seu conteúdo foi feito por cidadãos comuns. Mas é, antes, “claramente uma exposição política”, atenta a curadora. “Espero que as pessoas [que a visitem] reconheçam e ouçam um coro de vozes naquilo que está escrito”, acrescenta.

É a segunda vez que parte dos cartazes de protesto pertencentes ao arquivo Ephemera (que deverá ter 300 no total, quase todos feitos em cartão, escritos com marcadores) se mostram ao público – a primeira foi em 2018, no Parque Empresarial do Barreiro. No Pavilhão Central da Casa da Arquitetura, os cerca de 200 cartazes encontram-se divididos em três núcleos: Trabalho, Troika e Tudo; Feminismo e LGBTI+, e Emergência Climática. No primeiro, encontram-se “convocatórias, manifestações, marchas, concentrações, protestos, desde a contestação à Troika em 2012 e 2013, passando pelas manifestações populares do 25 de Abril e do 1º de Maio e a sensibilização mais recente em Portugal pela questão dos refugiados”, continua Helena Sofia Silva. No fundo, acrescenta, trata-se de uma área que apresenta os cartazes de protesto relacionados com “a dimensão socioeconómica da nossa cidadania”.

O segundo núcleo mostra objetos “vindos de manifestações feministas desde 2017, desde as marchas contra [Donald] Trump que também aconteceram em Portugal”. Já o terceiro é dedicado à “expressão local das marchas mundiais pelo clima, e as mais recentes manifestações associadas às greves climáticas estudantis”. O vídeo e a fotografia, com os momentos de algumas das manifestações onde os cartazes foram apresentados, complementam a exposição.

Que Força é Essa – Protesto e Participação Democrática em Portugal > Casa da Arquitetura (Pavilhão Central) > Av. Menéres, 456, Matosinhos > T. 22 240 4663/64 > 20 set-8 dez, ter-sex 10h-18h, sáb, dom, fer 10h-19h > grátis

 

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